
Existe um tipo muito particular de expectativa que acompanha uma obra quando ela nasce das mãos de alguém que já deixou uma marca tão profunda na história dos mangás. Quando Hiromu Arakawa, autora de Fullmetal Alchemist, começou Yomi no Tsugai, era praticamente impossível que a obra não fosse comparada ao seu trabalho anterior. A chegada da adaptação para anime, produzida pela Bones Film em parceria com Aniplex e Square Enix, apenas ampliou essa expectativa. Afinal, estamos falando de uma nova história da mesma autora responsável por uma das obras mais celebradas do shonen moderno, agora transformada em uma fantasia sobrenatural que mistura comunidades isoladas, irmãos gêmeos, criaturas misteriosas, guerras entre famílias e um sistema de poderes construído ao redor dos chamados Tsugai. O resultado, porém, não é um novo Fullmetal Alchemist. E talvez o maior erro cometido por parte do público tenha sido esperar exatamente isso. Yomi no Tsugai parece muito mais interessado em construir uma história própria, com uma escala diferente, um ritmo diferente e, principalmente, uma relação diferente entre ação, humor e mistério. O anime estreou em 4 de abril de 2026 e segue em exibição por dois cours consecutivos, chegando agora ao episódio 23.
A história começa em um lugar que parece existir fora do mundo que conhecemos. Yuru vive em uma pequena aldeia nas montanhas, cercado pela natureza e acostumado a caçar para sobreviver. Sua vida é simples, quase bucólica, e sua maior ligação emocional é com sua irmã gêmea, Asa. Existe, entretanto, uma diferença fundamental entre os dois: enquanto Yuru circula livremente pela comunidade, Asa vive presa em uma espécie de prisão no interior da aldeia, cumprindo um misterioso “dever”. Essa diferença já seria suficiente para despertar perguntas, mas Arakawa não demora a desmontar completamente aquilo que o espectador acredita estar vendo.
Quando uma garota que afirma ser Asa aparece diante de Yuru, o anime começa a brincar com identidade, memória, realidade e versões diferentes de uma mesma pessoa. A própria apresentação oficial da obra parte justamente desse mistério: por que Asa está presa e quais segredos estão escondidos naquela aldeia aparentemente tranquila?
Esse início é provavelmente uma das partes mais eficientes de Yomi no Tsugai. Existe uma sensação constante de que alguma coisa está errada, mas a série não entrega imediatamente todas as respostas. O espectador descobre as informações praticamente junto de Yuru, e isso faz com que a transformação da história seja mais interessante do que simplesmente apresentar um protagonista que já conhece o mundo sobrenatural. Yuru não sabe o que são os Tsugai, não entende completamente a dimensão dos conflitos que estão acontecendo e tampouco possui uma visão ampla sobre as forças que estão tentando controlar os irmãos. Essa ignorância é importante porque permite que o mundo seja apresentado de maneira orgânica.
E talvez seja justamente aqui que esteja uma das maiores diferenças entre Yomi no Tsugai e Fullmetal Alchemist. Em Fullmetal Alchemist, Arakawa construiu uma narrativa em que praticamente tudo parecia caminhar para algum lugar. Mesmo quando uma informação era pequena, frequentemente descobríamos depois que ela fazia parte de uma estrutura muito maior. Yomi no Tsugai trabalha de maneira mais fragmentada. A história abre perguntas, apresenta grupos, introduz personagens, muda o foco e deixa algumas respostas para depois. Para uma parcela do público, isso cria uma sensação de lentidão. Para outra, é justamente o que torna a série interessante.
Essa divisão aparece claramente nas discussões brasileiras. Há espectadores que elogiam a construção gradual dos mistérios e enxergam a obra como um slow burner, enquanto outros consideram que os primeiros episódios demoram demais para fazer a trama avançar. Também aparecem comparações frequentes com JoJo’s Bizarre Adventure e Jujutsu Kaisen, principalmente pela maneira como os Tsugai funcionam como entidades sobrenaturais associadas aos seus mestres. Ao mesmo tempo, há quem veja justamente aí uma das características mais divertidas da série: os Tsugai não são simplesmente “poderes”, mas personagens com comportamentos, relações e personalidades próprias.
Essa é uma das maiores forças do anime. Os Tsugai poderiam facilmente ter sido transformados em uma ferramenta convencional de batalha, mas Arakawa parece muito mais interessada nas relações entre humanos e criaturas. Eles possuem suas próprias características, limitações e maneiras de interagir com os seus mestres, e frequentemente são responsáveis tanto por momentos de tensão quanto pelas cenas mais engraçadas. A série consegue passar de uma situação envolvendo assassinato, perseguição ou conspiração para uma sequência completamente absurda envolvendo os próprios Tsugai sem que essa mudança pareça necessariamente incompatível com o universo. É uma característica muito própria da autora: o humor não existe apenas para aliviar a tensão; muitas vezes ele também serve para revelar quem são os personagens.
E isso nos leva a Yuru, talvez um dos protagonistas mais curiosos da temporada. À primeira vista, ele poderia parecer apenas mais um protagonista de shonen extremamente habilidoso, com capacidades físicas muito acima da média e uma ingenuidade quase desconcertante diante do mundo urbano. Só que a graça do personagem está justamente nessa combinação. Yuru é extremamente competente em determinadas situações e completamente deslocado em outras. Ele consegue sobreviver na natureza, caçar e lutar, mas precisa lidar com uma realidade moderna que não conhece. Esse choque cultural permite que o anime construa algumas das situações mais engraçadas da série sem transformar Yuru em um protagonista puramente cômico.
Ao mesmo tempo, existe uma crítica válida em relação à construção dele. Parte do público sente que suas habilidades aparecem antes que o anime tenha mostrado suficientemente de onde elas vêm. A ideia de que Yuru cresceu em um ambiente isolado e, por isso, desenvolveu determinadas capacidades é compreensível dentro da narrativa, mas alguns espectadores consideraram insuficiente a quantidade de tempo dedicada à construção desse passado. A discussão brasileira chegou a apontar justamente essa sensação: a série parece pedir ao espectador que aceite que Yuru é excepcional antes de explicar completamente por que ele é assim.
Asa, por outro lado, acabou sendo uma personagem ainda mais controversa. A existência de duas Asas permite que a obra brinque com a ideia de identidade de maneira bastante interessante, mas isso também significa que a personagem precisa carregar uma quantidade enorme de informações narrativas. Algumas críticas apontam que sua personalidade inicialmente parece menos desenvolvida do que a de outros personagens, enquanto outros espectadores consideram que a evolução dela acontece justamente conforme as informações sobre seu passado e sua relação com Yuru começam a aparecer. Essa diferença de percepção é importante porque mostra que Yomi no Tsugai não está necessariamente tentando fazer com que todos os personagens sejam compreendidos imediatamente.
E então existe a família Kagemori, que talvez seja onde a série encontre seu melhor equilíbrio entre comédia e drama. A família inicialmente parece apenas mais um grupo poderoso interessado nos irmãos, mas quanto mais conhecemos seus integrantes, mais complicada fica a relação entre proteção, interesse e manipulação. Asa e Yuru não são simplesmente crianças que alguém quer salvar. Eles também são peças extremamente importantes dentro de uma disputa que envolve diferentes grupos e diferentes interpretações sobre o que os Tsugai representam.
Essa ambiguidade é uma das melhores características da história. Yomi no Tsugai raramente apresenta um conflito completamente simples entre “bons” e “maus”. As famílias possuem seus próprios interesses, os personagens escondem informações e até aqueles que demonstram afeto podem estar agindo por razões que o espectador ainda não compreende completamente. Isso faz com que o mistério não dependa exclusivamente de descobrir “quem é o vilão”, mas também de entender quais são os objetivos de cada grupo.
O arco envolvendo Akio é um bom exemplo disso. Inicialmente apresentado como alguém integrado à família Kagemori, ele acaba se tornando uma peça importante em uma traição que ganha contornos muito mais pessoais quando conhecemos seu passado. Os episódios 22 e 23 revelam sua relação com Iori, sua busca por pertencimento e a maneira como sua condição de não sentir dor influenciou sua relação com a própria identidade e com a família que o adotou. A revelação funciona porque não transforma a traição simplesmente em uma decisão calculista: existe uma necessidade emocional por trás dela. Ao mesmo tempo, a série deixa aberta a possibilidade de que essa vulnerabilidade tenha sido explorada por outras pessoas.
O episódio 23 é particularmente interessante porque coloca lado a lado aquilo que o título do episódio chama de “emoção e razão”. Enquanto os personagens tentam compreender as ações de Akio e a ameaça envolvendo os Tsugai, Yuru acaba doente e a história temporariamente reduz sua escala. A mansão deixa de ser apenas um cenário de conspiração e se transforma em uma casa cheia de gente, com personagens cuidando uns dos outros. É justamente nesse tipo de momento que o anime consegue mostrar uma das características mais humanas de Arakawa: mesmo em meio a poderes sobrenaturais, guerras entre grupos e criaturas capazes de destruir construções, o que mantém a história funcionando são as relações entre as pessoas.
Essa capacidade de alternar escala é uma das coisas que mais divide o público. Para quem espera uma história constantemente acelerada, esses momentos podem parecer desvios. Para quem aceita o ritmo da obra, eles são fundamentais. A análise internacional do site Lost in Anime, por exemplo, observa que a série vinha mantendo um nível considerado muito bom, embora tenha passado alguns meses sem reproduzir completamente a “magia” de seus melhores momentos, e considera o episódio 23 uma espécie de retomada desse encanto justamente por causa da combinação entre cotidiano, humor e desenvolvimento dos personagens.
A recepção internacional, de maneira geral, confirma essa divisão entre “obra muito boa” e “obra que ainda não atingiu seu potencial”. No AniList, Yomi no Tsugai aparece atualmente com média de 78%, enquanto a série continua em exibição. A plataforma registra 24 episódios planejados, com duração aproximada de 24 minutos cada. No Reddit, uma discussão internacional chegou a resumir bem uma das leituras mais comuns: a obra é considerada sólida, divertida e capaz de entregar uma experiência agradável, mas não necessariamente excepcional quando comparada a obras de referência do gênero. Um dos leitores que acompanha também o mangá avaliou que a série oferece uma experiência próxima de 8/10, mas ressaltou que sua comparação com Fullmetal Alchemist inevitavelmente faz com que pareça menor em escala e ambição.
E essa comparação é provavelmente a grande sombra que acompanha Yomi no Tsugai. Não porque o anime esteja tentando ser Fullmetal Alchemist, mas porque o público sabe quem está escrevendo. É impossível assistir a uma nova obra de Arakawa sem procurar os elementos que fizeram sua produção anterior tão marcante. Só que Yomi no Tsugai não parece interessado em repetir a fórmula. É uma história mais descontraída, mais caótica e, em muitos momentos, mais estranha. Existe violência, morte e sofrimento, mas também existe espaço para piadas absurdas, situações domésticas e personagens que parecem ter saído de uma comédia.
A própria construção dos Tsugai reforça essa diferença. Eles podem ser assustadores, poderosos e fundamentais para o conflito, mas também podem ser estranhamente engraçados. Essa mistura entre sobrenatural e cotidiano dá ao anime uma personalidade que não depende da grandiosidade. Em vez de transformar cada revelação em um acontecimento épico, Arakawa muitas vezes deixa a estranheza existir simplesmente porque aquele mundo funciona daquela maneira.
Visualmente, a escolha da Bones Film também é importante. A animação consegue sustentar as cenas de ação sem transformar o anime em uma produção que depende exclusivamente de espetáculo. O design dos personagens preserva bastante da identidade de Arakawa, enquanto os Tsugai possuem silhuetas e características que ajudam a diferenciá-los. A série não precisa reinventar a linguagem visual do shonen para funcionar. Ela entende que parte do charme está justamente na aparência de mangá de aventura sobrenatural que possui.
A trilha sonora e a abertura também ajudam a construir essa identidade, especialmente na segunda parte da temporada. A produção oficial confirmou a continuidade em dois cours e, no início do segundo cour, apresentou novo material de abertura e encerramento. O anime também já ganhou lançamento de sua trilha sonora original em setembro, mostrando que a produção recebeu um tratamento relativamente amplo dentro da estratégia da Aniplex e da Square Enix.
Mas talvez seja necessário falar sobre aquilo que Yomi no Tsugai ainda não resolveu completamente: o ritmo. Essa é a crítica que aparece com maior frequência entre os espectadores. A sensação de lentidão não vem necessariamente de falta de acontecimentos. Acontecem muitas coisas. O problema é que a série apresenta muitos grupos, personagens, regras, termos e mistérios sem necessariamente oferecer ao público uma compreensão imediata de como todas essas peças se encaixam. Para alguns, isso cria curiosidade. Para outros, cria confusão.
O episódio 23 mostra justamente os dois lados dessa característica. A história introduz uma ameaça relacionada a uma facção do oeste e estabelece que determinados conflitos possuem raízes muito antigas, chegando a uma espera de quatrocentos anos. A revelação amplia a escala do conflito, mas também exige que o espectador aceite mais uma camada de história antes de compreender completamente suas consequências. Algumas análises brasileiras consideraram essa conexão histórica interessante, mas questionaram se a justificativa de uma rivalidade tão antiga consegue, neste momento, sustentar completamente seu peso narrativo.
E aqui está uma diferença importante entre o anime e o mangá. O mangá continua bastante à frente da adaptação. Em setembro de 2026, a publicação japonesa já alcançou o capítulo 52, com o capítulo 53 em andamento no Gangan Online, enquanto o volume 13 foi lançado em julho. A própria página oficial da Square Enix confirma a publicação do volume 13 e a continuidade da obra. Isso significa que o anime não está adaptando uma história encerrada, mas acompanhando uma obra ainda em construção. Algumas respostas simplesmente ainda não existem de maneira definitiva, porque Arakawa continua desenvolvendo o universo.
Esse detalhe é fundamental para compreender a experiência de assistir Yomi no Tsugai em 2026. O espectador não está diante de uma história em que todos os mistérios já possuem respostas disponíveis. Está acompanhando a construção de um universo enquanto ele ainda cresce. Isso explica tanto a sensação de lentidão quanto a quantidade de teorias que surgem entre os leitores.
Também explica por que comparar Yomi no Tsugai diretamente com Fullmetal Alchemist pode ser injusto com a obra. Fullmetal Alchemist já pode ser analisado olhando para uma narrativa completa, fechada e construída ao longo de anos. Yomi no Tsugai ainda está descobrindo até onde sua própria história pretende chegar.
No Brasil, a recepção demonstra exatamente essa diferença de expectativas. Há espectadores que chegaram esperando uma espécie de sucessor espiritual de Fullmetal Alchemist e se decepcionaram porque encontraram algo mais lento e menos grandioso. Outros gostam justamente do fato de a série parecer uma aventura sobrenatural com espírito de shonen dos anos 2000, valorizando o equilíbrio entre humor, ação e mistério. Em uma discussão brasileira recente, um espectador resumiu a sensação de parte desse público ao dizer que a obra possui uma atmosfera de mangá dos anos 2000, enquanto outros reclamaram que, depois de muitos episódios, determinados mistérios ainda avançavam pouco.
Internacionalmente, a percepção é bastante parecida. A série é frequentemente descrita como divertida, sólida e diferente, mas existe uma resistência em colocá-la no mesmo patamar das obras mais marcantes do gênero. Essa diferença não parece nascer necessariamente de uma falha isolada da animação ou do roteiro, mas da enorme expectativa criada em torno do nome de Arakawa. O público não está apenas perguntando se Yomi no Tsugai funciona. Está, muitas vezes, perguntando se ele é tão bom quanto Fullmetal Alchemist. E são perguntas completamente diferentes.
Talvez a resposta mais interessante esteja em parar de fazer essa comparação.
Porque, quando retiramos Fullmetal Alchemist da equação, Yomi no Tsugai se revela uma história bastante peculiar. É uma fantasia sobrenatural sobre duas pessoas que deveriam compartilhar a mesma origem, mas que cresceram em realidades completamente diferentes. É uma história sobre famílias que podem ser abrigo e prisão ao mesmo tempo. É uma história sobre criaturas que não são apenas armas. É uma história sobre pessoas tentando descobrir quem são enquanto diferentes grupos tentam decidir o que elas devem representar.
E, acima de tudo, é uma história sobre pertencimento.
Yuru procura a irmã. Asa procura respostas. Akio procura sua origem. Iori procura algum lugar onde sua existência seja reconhecida. Os Kagemori tentam preservar sua família enquanto lidam com ameaças internas e externas. Mesmo os conflitos aparentemente mais sobrenaturais acabam retornando à mesma pergunta: quem é sua família e até onde você iria para protegê-la?
É por isso que os episódios mais intimistas acabam sendo tão importantes quanto as grandes batalhas. Quando Yuru fica doente, quando personagens dividem uma casa, quando alguém prepara comida, quando os Tsugai fazem algo absurdo ou quando uma pessoa revela uma ferida que carregou durante anos, o anime deixa de ser apenas uma história sobre poderes. É nesses pequenos momentos que Yomi no Tsugai encontra sua humanidade.
E talvez esse seja o grande segredo da obra de Arakawa: mesmo quando ela cria monstros, guerras, poderes sobrenaturais e sociedades inteiras escondidas dentro da nossa própria realidade, suas histórias continuam sendo sobre pessoas.
Yomi no Tsugai ainda não terminou sua jornada. O anime chegou ao episódio 23, enquanto o mangá continua avançando no Japão, e a própria estrutura da produção confirma que existe mais história por vir.
Por isso, seria precipitado tratá-lo como uma obra que já entregou tudo aquilo de que é capaz. Há mistérios que continuam abertos, relações que ainda podem mudar e conflitos que apenas começaram a revelar sua verdadeira dimensão.
O que podemos dizer até aqui é que Yomi no Tsugai encontrou um caminho próprio, mesmo que esse caminho ainda seja irregular. Ele pode ser lento quando deveria acelerar, confuso quando poderia explicar melhor e, em alguns momentos, parece esconder informações demais atrás de novos mistérios. Mas também possui personagens carismáticos, um universo cheio de possibilidades, uma identidade visual forte, um sistema de criaturas que foge do convencional e uma capacidade muito particular de transformar uma batalha sobrenatural em uma conversa sobre família poucos minutos depois.
Não é Fullmetal Alchemist. E talvez nunca precise ser.
É Yomi no Tsugai: uma fantasia estranha, divertida, violenta e surpreendentemente humana, que parece estar mais interessada em descobrir que tipo de história quer contar do que em provar imediatamente que já sabe todas as respostas.
E, considerando que o mangá ainda está sendo escrito, talvez essa sensação de descoberta seja justamente parte da experiência.
ainda é cedo para dizer até onde Yomi no Tsugai vai chegar, mas já existe uma identidade própria ali. A adaptação não transformou a nova obra de Arakawa em um “novo Fullmetal”. Em vez disso, apresentou uma história que mistura mistério, fantasia, ação e comédia com uma preocupação constante pelas relações humanas. Seu maior desafio continua sendo o ritmo e a enorme expectativa colocada sobre o nome da autora. Sua maior qualidade é justamente quando consegue esquecer essa expectativa e simplesmente ser o que é. Até o episódio 23, Yomi no Tsugai não parece uma obra tentando substituir um clássico. Parece uma obra tentando descobrir, diante do próprio público, qual será o seu lugar.

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