Journal with Witch, adaptação do mangá Ikoku Nikki : Primeiras impressões

O inverno de 2026 trouxe uma estreia que chamou atenção dos fãs de animação japonesa: Journal with Witch, adaptação do mangá Ikoku Nikki, de Tomoko Yamashita. Em um cenário dominado por shounen e isekai, a chegada de um jousei às telas já é um acontecimento raro e digno de nota. A série aposta em uma narrativa intimista, explorando o luto, a convivência e os laços familiares que se formam em meio ao inesperado.

A série começou sua transmissão em 4 de janeiro de 2026, exibida em canais japoneses como ABC TV, TOKYO MX e BS Asahi, além de estar disponível mundialmente pela Crunchyroll. A produção é do estúdio Shuka, com direção de Miyuki Oshiro e roteiro de Kōhei Kiyasu. O design de personagens ficou a cargo de Kenji Hayama, e a música é composta por Kensuke Ushio, conhecido por trabalhos marcantes em A Silent Voice e Chainsaw Man. Essa escolha reforça a atmosfera delicada e introspectiva da obra

A trama acompanha Makio Koudai, uma escritora reclusa e introvertida, que se vê obrigada a acolher sua sobrinha Asa Takumi, de 15 anos, após a morte repentina dos pais da garota. O ponto de partida pode parecer familiar – adultos improváveis cuidando de órfãos – mas a execução é o que diferencia Journal with Witch. Em vez de melodrama, o anime aposta em silêncios, em pequenos gestos e na construção gradual de uma relação marcada por estranhamento e crescimento mútuo.

Makio, interpretada com precisão por Sawashiro Miyuki, é uma personagem complexa, que carrega ressentimentos antigos em relação à irmã falecida e não está preparada para dividir sua vida com ninguém. Asa, vivida pela jovem Mori Fuuko, surpreende pela naturalidade ao retratar uma adolescente emocionalmente contida, que encontra no diário sugerido pela tia uma forma de dar voz ao que não consegue expressar. Essa dinâmica entre as duas é o coração da obra, revelando como o luto pode se transformar em uma nova forma de afeto.

Visualmente, a produção aposta em tons pastel e traços delicados, reforçando a atmosfera introspectiva. A trilha sonora é minimalista, quase invisível, permitindo que os silêncios falem por si. Essa escolha estética pode parecer discreta, mas é justamente o que dá força à narrativa. Não há exageros, apenas honestidade.

Journal with Witch não é um anime para quem busca ação ou grandes explosões emocionais. É uma obra sobre convivência, sobre o desconforto de dividir espaços e sobre como, em meio à dor, podem surgir novas possibilidades de afeto. Uma estreia que não impressiona pela grandiosidade, mas pela sensibilidade e que promete ser uma das experiências mais marcantes da temporada.

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