Mais do que a estreia em si, talvez o aspecto mais fascinante de Hanazakari no Kimitachi e (Hana-Kimi) seja a trajetória que a antecede. O mangá de Hisaya Nakajo foi um verdadeiro fenômeno editorial, acumulando cerca de 17 milhões de cópias vendidas em seus 23 volumes e consolidando-se como um dos grandes shoujos de sua geração. Encerrado em 2004, ganhou versões em dorama de sucesso, mas só agora, mais de duas décadas depois, chega ao formato de anime. A adaptação carrega ainda um tom melancólico: Nakajo faleceu em 2023, aos 50 anos, e não se sabe se este projeto já estava em andamento antes de sua partida.

Entre nostalgia e clichês
É uma obra que desperta vontade de ser apreciada, especialmente pelo peso histórico que carrega. No entanto, o gênero shoujo romântico, por mais icônico que seja, também é terreno fértil para clichês. Hana-Kimi não escapa deles. A trama acompanha Ashiya Mizuki, uma jovem que decide atravessar fronteiras para se aproximar de Izumi Sano, atleta de salto em altura que admira. Sua decisão de se matricular em uma escola exclusivamente masculina soa mais como uma obsessão do que como romance inocente, e a execução da premissa exige certa suspensão de descrença.
Personagens e dinâmica
O episódio duplo de estreia não é desprovido de charme. Há momentos engraçados e interações que funcionam, mas a construção dos personagens ainda parece superficial. Mizuki, por exemplo, não se esforça em manter seu disfarce convincente, o que torna difícil acreditar que ninguém perceba sua identidade. Sua postura diante de Sano é marcada por exageros, e os colegas masculinos seguem arquétipos já bem conhecidos do gênero, sem grandes surpresas.
Impressão geral
Visualmente, o anime entrega uma estética agradável e fiel ao espírito juvenil da obra original. Ainda assim, a narrativa tende ao exagero e ao tom leve demais, o que pode afastar espectadores que buscam algo mais sofisticado. Para os fãs de shoujo clássico, há um apelo nostálgico inegável; para quem não tem afinidade com o gênero, a experiência pode soar ingênua ou até mesmo cansativa.
Conclusão Hana-Kimi chega ao anime como uma obra carregada de história e expectativa, mas sua estreia revela tanto o charme quanto as limitações de um romance escolar moldado por convenções do shoujo. É uma série que merece ser vista pelo valor cultural e pela memória de Nakajo, mas que dificilmente conquistará quem não tem paciência para os velhos clichês do gênero.

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