
A passagem do BTS pelo Brasil em outubro de 2026 deixou muito mais do que três apresentações lotadas em São Paulo. Entre a emoção do reencontro com os fãs, as referências à cultura brasileira e uma entrevista exclusiva à CazéTV, o grupo sul-coreano protagonizou um dos momentos mais marcantes de sua atual turnê mundial, a ARIRANG World Tour. O encontro também proporcionou uma oportunidade rara: conhecer um pouco mais sobre a relação dos integrantes com o país, suas lembranças da última visita e o interesse pela música brasileira.
A entrevista, publicada no canal da CazéTV no YouTube em 3 de novembro, foi conduzida por Isa Pagliari e Diogo Defante, com participações de Edu Tevê e Ian Fracalossi nas atividades especiais, o conteúdo apresentou uma combinação de conversa, brincadeiras e experiências culturais. A participação também chamou atenção por representar uma exceção ao protocolo adotado pelo grupo durante a turnê, que até então não havia concedido entrevistas a veículos de imprensa locais nos outros países visitados.
O retorno ao Brasil e a memória de 2019
Antes de falar sobre a entrevista, é importante entender o significado dessa passagem. A última visita do BTS ao Brasil havia acontecido em maio de 2019, quando o grupo realizou duas apresentações no Allianz Parque, em São Paulo, nos dias 25 e 26, durante a turnê Love Yourself: Speak Yourself. Na ocasião, aproximadamente 80 mil pessoas acompanharam os dois shows, que marcaram a primeira apresentação do septeto em um estádio na América Latina.
Sete anos depois, o retorno aconteceu em uma fase completamente diferente da trajetória dos artistas. Após os compromissos individuais e o período de serviço militar obrigatório dos integrantes, o BTS voltou a se apresentar como grupo completo, trazendo ao público o projeto ARIRANG e uma nova turnê mundial.
Em 2026, foram três apresentações no Estádio do MorumBIS, nos dias 28, 30 e 31 de outubro, todas com ingressos esgotados. A recepção brasileira voltou a chamar a atenção dos integrantes, que demonstraram guardar lembranças bastante particulares da experiência anterior.
Em um trecho divulgado antes da entrevista completa, V classificou o Brasil como o número um em energia. O artista recordou a maneira como o público dançava durante os shows, enquanto Jimin comentou que, mesmo sem lembrar de todos os detalhes daquela época, a animação dos fãs permaneceu na memória do grupo. Jung Kook chegou a comparar a movimentação da plateia a um flashmob. É uma lembrança interessante porque mostra como a experiência de um show não se limita ao que acontece no palco. A maneira como o público participa, dança e transforma o espaço em uma grande celebração também constrói a memória dos artistas.
Uma entrevista que aproximou o BTS da cultura brasileira
O especial da CazéTV não ficou restrito às perguntas tradicionais sobre carreira e música. A proposta foi apresentar aos integrantes algumas referências culturais brasileiras, aproveitando o perfil descontraído do canal.
Durante o encontro, os artistas experimentaram alimentos populares, como pão de queijo, coxinha, brigadeiro, paçoca e açaí, além de conhecerem um pouco mais sobre os costumes locais. Também arriscaram expressões em português, entre elas “Tamo junto”, “Bora”, “Obrigado” e “E aí, Brasil, beleza?”.
O futebol, naturalmente, não poderia ficar de fora. Os integrantes participaram de desafios com bola, narrações de lances esportivos e comemorações de gol, entrando na brincadeira com a equipe da emissora. A dança também ganhou espaço, com direito a uma tentativa de reproduzir o famoso passinho do Jamal.
Esses momentos ajudaram a construir uma entrevista diferente das habituais conversas promocionais. Em vez de apenas divulgar o álbum e a turnê, o conteúdo procurou estabelecer uma troca entre os convidados e o ambiente cultural do país que os recebia.
BTS e a possibilidade de parcerias com artistas brasileiros
Um dos assuntos que mais repercutiram entre os fãs foi a possibilidade de futuras colaborações musicais com artistas nacionais.
Durante a entrevista, nomes como Anitta, Alok e Jota.pê foram mencionados como possibilidades de parceria. A conversa chamou atenção especialmente pela diversidade musical representada pelos artistas: do pop e da música urbana à música eletrônica e à produção brasileira contemporânea.
A menção a Jota.pê teve uma repercussão especial. O cantor brasileiro respondeu publicamente demonstrando interesse na colaboração, deixando a possibilidade de um encontro musical ainda mais interessante.
É importante destacar que a manifestação de interesse não significa que exista uma parceria confirmada. Ainda assim, a lembrança de artistas brasileiros em uma conversa com um dos grupos mais conhecidos da música mundial é um acontecimento que merece atenção.
Uma colaboração dessa dimensão poderia representar mais uma oportunidade de aproximação entre o mercado musical brasileiro e o sul-coreano, que já mantém relações cada vez mais próximas por meio do K-pop, de festivais, campanhas e projetos internacionais.
Tom Jobim, Bossa Nova e outras referências musicais
Outro detalhe interessante da passagem do BTS pela CazéTV foi a conversa sobre música brasileira.
V comentou que havia escutado “Wave“, composição de Tom Jobim, durante um deslocamento. A referência à Bossa Nova trouxe uma dimensão diferente ao encontro, mostrando que o contato dos integrantes com a música nacional não precisa estar limitado aos grandes sucessos contemporâneos.
A conversa também abriu espaço para referências ao futebol brasileiro, incluindo a Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão e vencida pela seleção brasileira.
São pequenas referências, mas que ajudam a demonstrar como a cultura de um país pode atravessar fronteiras por diferentes caminhos. A música, o esporte, a gastronomia e o entretenimento acabam funcionando como pontos de encontro entre públicos que, apesar da distância geográfica, compartilham interesses.

ARIRANG: uma nova fase na trajetória do BTS
A entrevista também acontece em um momento importante para a carreira do grupo. O álbum ARIRANG representa o retorno do BTS como septeto após um período de atividades individuais e do cumprimento do serviço militar obrigatório.
A turnê mundial que acompanha o lançamento percorre diferentes países e reúne uma produção de grande escala, com apresentações que reafirmam a presença internacional do grupo.
O nome do álbum faz referência a uma tradicional canção folclórica coreana, carregada de significados culturais e históricos. A escolha dialoga com a identidade do BTS e com a proposta de apresentar ao mundo elementos da cultura sul-coreana por meio da música contemporânea.
Nesse contexto, a passagem pelo Brasil também ganha outra dimensão: é um encontro entre duas culturas que encontram na música uma linguagem compartilhada.
Muito além dos três shows
O retorno do BTS ao Brasil evidencia a força de uma comunidade de fãs que acompanha o grupo há anos e que continua participando ativamente de sua trajetória.
A entrevista à CazéTV foi especialmente interessante porque permitiu que os integrantes aparecessem em situações diferentes daquelas que costumamos acompanhar nos palcos e nos conteúdos oficiais. Houve espaço para humor, referências culturais, lembranças, música e interação espontânea.
Também merece destaque a decisão de abrir espaço para um veículo brasileiro durante uma turnê internacional. Em um mercado musical cada vez mais globalizado, reconhecer a importância de determinados públicos significa também compreender que a relação entre artistas e fãs não se constrói apenas por números, vendas ou posições nas paradas.
O Brasil recebeu o BTS em 2026 e, mais uma vez, demonstrou que a distância entre Seul e São Paulo não impede que a música construa conexões significativas.
E talvez uma das melhores lembranças dessa passagem seja justamente a percepção de que os artistas também guardam as experiências vividas aqui. Afinal, quando V fala sobre a energia brasileira, não está falando apenas de um estádio lotado, mas de pessoas que transformaram um espetáculo em uma experiência que permaneceu na memória do grupo.
Para o ARMY, ficam os registros de mais um capítulo dessa relação. Para o K-pop brasileiro, fica também a oportunidade de acompanhar um encontro que ultrapassou os limites da divulgação musical e colocou a cultura brasileira no centro de uma conversa com um dos maiores nomes da música sul-coreana.

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